Wednesday, February 28, 2007

Edie Sedgwick - Factory Girl


Em Dezembro do ano passado entrou em cartaz nos EUA um filme estrelado por um dos ícones da moda atual, Sienna Miller, chamado Factory Girl. O filme é sobre a vida de Edie Sedgwick, a mocinha da foto acima, que foi também um ícone de moda e comportamento na década de 70.

Creio eu que atualmente não há quem nunca tenha ouvido pelo menos algo sobre as décadas de 60/70 e o movimento underground de NYC. Uma época fervilhante onde surgiram grandes artistas em todas as áreas que são fonte de inspiração para muita gente por aí. É a época em que Andy Warhol explode para o mundo com a sua pop art. Vivienne Westwood choca os padrões de moda da alta costura mostrando suas “shiny boots of leather”. Surge o Velvet Underground, New York Dolls, The Doors, David Bowie ataca de Ziggy Stardust, surgem os Ramones, Sex Pistols (com influência direta da V. Westwood), Patti Smith... Isso sem falar no rebuliço fora da cena punk.

Mas é nesse cenário underground que um mundinho em particular se torna conhecido: a Factory. E também é por causa desse "mundinho" que algumas pessoas ficaram conhecidas no showbizz, entre elas, a Edie Segwick.

A Factory era o atelier/escritório de Andy Warhol. Andy não era apenas artista plástico como muita gente pensa. Ele também empresariava bandas, fazia filmes, peças... Sendo assim a Factory acabou se tornando o reduto “cool”. Ponto de encontro de qualquer pessoa que mexesse com arte ou que simplesmente quisesse aparecer por lá. As lendárias aparições em público de Warhol acabaram deixando-o conhecido como “domador de show de excentricidades”, isso por estar sempre acompanhado de suas musas que eram modelos, travestis, prostitutas, rock stars...

Uma das musas mais marcantes de Andy com certeza foi Edie Sedgwick. Ela começou sua carreira como modelo, porém nunca foi muito aceita no meio, apesar de ser protegida da Diana Vreeland que costumava dizer que ela era exemplar da juventude de sua época pelo seu comportamento e percepção de moda. Até que um dia conhece Warhol e começa a acompanhá-lo em suas aparições e a protagonizar seus filmes. Depois disso ela passou a ser a “mocinha cool” de Manhattan. Fez filmes, desfiles, editoriais e é a Femme Fatale retratada na música do Velvet Underground.

Além de Warhol outra pessoa que se encantou por Edie foi Bob Dylan, que acabou compondo músicas com referências a ela, como "Leopard-skin pill-box hat”.

Edie acabou morrendo cedo, aos 28 anos, vítima de uma overdose (como qualquer pessoa que viveu intensamente a década de 70) de calmantes.

Sinceramente estou muito ansiosa para ver esse filme. Não apenas para ver Sienna interpretando Edie, que conhevamos, são totalmente opostos. Edie era uma das pessoas mais legais do livro “Mate-me por favor”. O filme promete mostrar muito do “backstage” da Factory e do Chelsea Hotel (lugar onde boa parte dos rock stars, modelos e até groupies moravam). Dizem também que a história dela foi um pouco modificada para o filme... Bem, vamos ver no que isso vai dar. Só espero que passe logo por aqui, já que João Pessoa às vezes parece estar mais para África do que para Brasil. ¬¬

Thursday, February 01, 2007

Lino Villaventura - Surpresa Art Noveau

Depois de ver muita mesmice no Fashion Rio (claro, salvas algumas exceções realmente boas) devo admitir que fiquei com a maior preguiça de acompanhar o São Paulo Fashion Week e de comentar sobre os dois aqui no blog. Até que ontem, fuçando o site do SPFW, me veio uma foto do desfile do Lino Villaventura. :O
Lino é um estilista de Fortaleza cujas criações nunca chamaram minha atenção. Sempre achei as coisas dele bem breguinhas pra falar a verdade. Aquele papo de "tecidos da natureza" não me atraia em nada... Pior ainda quando descobri que ele era o estilista da Xuxa. Até antes de ontem isso era um fato. Hoje não é mais... Dando uma olhada preguiçosa pelo site do SPFW vi umas fotos de um certo desfile onde a passarela era xadrez e os modelos eram meio estruturalistas, meio art noveau... E eu não falo de uma silhueta art noveau, mas do processo criativo por um todo. Fiquei chocada com a beleza daquilo. E quando fui ver de quem era... Puff! Lino Villaventura. Finalmente o rapaz se achou em meio às suas criações.
Com o tempo de estrada que ele tem, com certeza ele tem bagagem pra encarar uma linha de modelagem calcada em estruturas e texturas - o que eu acho o máximo. Essa parte do desfile dele ficou linda. Com um "ps" para o vestido vermelho que lembra muito o do auto retrato de Tarsila do Amaral.
Essa "arquitetura" aliada ao onirismo da outra parte da coleção deu um tom magistral. De repente modelos com vestidos estruturados e ao mesmo tempo delicados a ponto de parecerem vitrais.. Vitrais esses que lembravam libélulas, jardins, florzinhas secas, vidrinhos de perfume das nossas bisavós... Tudo muito trágico mas também muito mágico e simbolista. Quase uma pintura de Alphonse Mucha com decotes à lá Dior.
Fiquei encantada com o desfile. Parecia que estava dentro de alguns dos meus filmes favoritos, entre eles (e principalmente) "Assassinato em Gosford Park" (Robert Altman).



vídeo do finalzinho do desfile

Sunday, January 28, 2007

Cibelle Cavali feat. Devendra Banhart

Fiquei tão feliz de vê-los na MTV de madrugada. rs... Recomendo! Muito bom....

A Cibelle é uma brasileira radicada em Londres. Ela é dj do Favela Chic além de ser uma cantora muito aclamada dentro e fora do Brasil pela "classe musical". Enfim, adoro =]

Devendra tava aqui no último Tim Festival. Devo admitir que conheço pouco dele, mas o que conheço gosto muito. Ele vem sendo aclamado como um dos principais representantes do folk psicodélico norte americano. Mas sem as palavras difíceis, acho a voz dele muito doce. Gosto muito. Além do mais ele cantou Batmacumba com os (novos) Mutantes no show do Barbican Theatre! Só por isso já digo que vale a pena conferir a obra do rapaz. =D

Tuesday, January 23, 2007

Herchcovitch, Rococó e Melissa


Desde que entrou no calendário oficial da moda brasileira ao participar do São Paulo Fashion Week, Alexandre Herchcovitch tem mostrado que moda é realmente a sua vida e paixão. Conhecido como um dos magos da moda brasileira, o agora diretor do curso de moda do Senac de São Paulo se prepara para mostrar amanhã a sua nova coleção feminina. Esse ano as principais semanas de moda do país estão acontecendo em intervalos de tempo curtos, o que aparentemente é bom para fixar um período certo no calendário de moda do Brasil. Deixando apenas um intervalo de 4 dias entre o Fashion Rio e o SPFW.
Nessa edição o estilista mostrará não apenas a sua coleção de roupas mas também a coleção de calçados que faz exclusivamente para a Melissa, parceria que acontece desde a criação do scarfun, em 2003. Para o inverno a coleção será inspirada no bordado rococó, e para tal Herchcovitch criou sapatilhas de ponta fina nas cores azul, preto, magenta e branco, tendo ainda dois modelos translúcidos que possuem estampa imitando renda.
O rococó é um estilo artístico que se originou na França, mas foi disseminado pela Europa no século 18. Esse estilo tem como características o uso de formas arrendodadas, de elementos decorativos (como laços, flores e conchas) e por exercer uma certa elegância ao mesmo tempo que alegria e frivolidade. Durante o período em que o estilo esteve em moda na Europa as cores predominantes eram os tons pastéis. Foi durante essa época que um tipo de bordado foi desenvolvido na Europa e trazido para o Brasil. Esse bordado também é chamado de rococó e virou uma das artes mais características das artesãs do interior do país, em especial do nordeste.
Além da parceria entre Herchcovitch e a Melissa, a marca também lançou um concurso onde 4 fotologgers "gold cam" foram a São Paulo fazer oficinas de moda para customizar sandálias que serão lançadas no evento (que vale a pena dizer, é o maior evento de moda da América Latina). Além de customizar os calçados Mari moon, Maluka, Lolly e Apê (impar) também vão fazer a cobertura do evento.

Wednesday, January 17, 2007

David Bowie

Dia desses foi o aniversário dele e eu nem comentei nada... Mas ele dispensa comentários. A poeira estrelar mais fabulosa. =]

Tuesday, January 16, 2007

Um pouco mais de respeito, por favor!

Uma das coisas pelas quais eu mais luto em minha vida acadêmica e profissional é em prol da seriedade no mundo da moda. Odeio quando comento com algum professor da minha faculdade de jornalismo que estou me especializando na área de moda e eles olham pra mim com uma cara de “coitadinha, mais uma perua virando colunista social”. Mas eu nem posso culpá-los tanto por isso. Moda, por ser uma área profissional relativamente nova, ainda está muito desestruturada. E boa parte da culpa disso é dos ditos profissionais que “habitam” a área. Pessoas que só querem saber de festa, festa e festa. E então ficamos sem saber onde está o trabalho árduo da coisa. Björk mesma disse “não acredito em inspiração mas em trabalho árduo”. Produzir moda é fazer um trabalho árduo de pesquisa e criação e não baixar um santo louco na peruca do estilista e montar uma coleção em um segundo. Porém por mais que alguns profissionais dêem shows de civismo e profissionalismo, como o Walter Rodrigues deu no primeiro dia, ainda terão outros que estarão lá só para desfazer tudo. É o que está acontecendo com as semanas de moda daqui. Os eventos de moda no Brasil, por mais grandiosos que sejam, nunca vão se profissionalizar se continuarem desse jeito. Eu mesma, pela minha vivência nesse mundo desde que me entendo por gente, já estava acostumada a chegar em eventos de moda e encontrar verdadeiras boates ou salas de chá para peruas da alta sociedade gritarem pelo modelo bombadão de sunga que está desfilando. Sinceramente, isso me fazia até perder um pouco de interesse pelo que estava sendo mostrado.

Eu não estava presente no Fashion Rio para dar meu parecer de como estava a loucura por lá. Por enquanto ainda tenho que correr atrás das minhas fontes e fotos pela internet... Mas a Érika Palomino tava lá, e agora não é a minha vez de gritar por um pouco de seriedade e respeito pelo trabalho dos profissionais que estão mostrando seu trabalho árduo, é a vez dela, uma conceituada jornalista de moda do Brasil, fazer esse apelo. E eu que nem gostava muito do que ela escrevia depois dessa virei fã!


Matéria Érika Palomino

Sunday, January 14, 2007

Começa a temporada de moda no Rio...


Começou o ano e com ele a tão esperada temporada de desfiles de inverno. Hoje foi o primeiro dia do Fashion Rio, realizado na Marina da Glória. O tema do evento esse ano é a fusão cultural do nosso país que é formado por pequenos pedaços do mundo. Esses eventos de moda sempre trazem novos estilistas e nessa edição as novidades são Eliza Conde, Chiaro, Reserva, Caroline Rossato, Luciana Galeão e Kylza Ribas.
Abrindo a temporada de desfiles com chave de ouro, Walter Rodrigues mostrou não apenas uma coleção linda mas também uma lição de responsabilidade – o que na minha opinião chamou mais atenção do que as suas belas criações.
É notável que depois do caso da morte da modelo Ana Carolina Reston o público não deve agüentar ouvir falar em anorexia e problemas com a regulamentação da profissão. Mas esse é um tema recorrente sim, que tem que ser comentado até depois que o problema seja resolvido pra que não se repita.
Dando uma olhada pelas agências de notícias vi o caso que aconteceu hoje no Fashion Rio durante o desfile do Walter Rodrigues. Ele retirou do desfile a modelo Carol Franceschini por não apresentar a documentação necessária para desfilar. Segundo o estilista ela não tinha apresentado ao Juizado de Menores um comprovante de estudo.
Até então eu achava que as modelos não tinham que apresentar nenhuma documentação além da autorização dos pais (isso quando menores de 18 anos) para participar de desfiles. Mas hoje descobri que elas tem que apresentar além da autorização dos pais um atestado de saúde e ainda comprovante de estudo. É um grande avanço para uma área que estava uma verdadeira bagunça. As modelos deveriam se orgulhar disso. Tudo bem que burocracia demais às vezes pode atrapalhar, mas não custa nada fazer um supletivo e terminar logo a escola antes de seguir a carreira. Ter pelo menos um pouco de estudo garantido não faz mal a ninguém. E isso significa que não é apenas as modelos que precisam se profissionalizar, as agências, estilistas e produtores devem seguir o mesmo. E o ato do Walter Rodrigues deveria ser seguido por todos.
A coleção do estilista foi toda calcada na cultura japonesa e na sua fusão com a brasileira, representada pelo trabalho de bordadeiras de Brasília. O cenário era uma biblioteca antiga e as modelos pareciam bonequinhas japonesas “modernosas”. Tudo muito caprichado em produções bem conceituais, o que é característico dele. Walter é um dos estilistas mais importantes do Brasil. Ele participa há sete temporadas consecutivas da Fashion Week Parisiense. Suas coleções sempre tem toques japonistas o que deve ser resultado da parceria com sua sócia, Áurea Yamashita.
Amanhã no Fashion Rio terá desfile da Melk Z-Da. Uma mocinha de Recife que está botando pra quebrar na moda alternativa (e eu adoooro as coisas dela). =]

Para conferir as fotos do desfile é só clicar no link pro site do Fashion Rio no título da postagem.

link pro Terra

Friday, December 01, 2006

Vitrine Cooltural de Moda



Se você gosta de moda e ousadia definitivamente precisa ir à Vitrine Cooltural de Moda. É um evento que dois dos meus professores de moda (ALexandre Nepomuceno e Gabriela Maroja) mais as designers Larissa Uchôa, Fabíola Pedrosa e Caroline Monteiro organizaram para mostrar que moda não é aquilo que todo mundo usa. Além de contemplamento estético você ainda ouvirá boa música ;)


Onde? Hotel Ouro Branco
Quando? dia 06/12 às 18h

Thursday, November 30, 2006

Cirque du Soleil - BEATLES LOVE

Cirque du Soleil - BEATLES LOVE

"I'D LIKE TO BE UNDER THE SEA IN A OCTOPUS' GARDEN WITH YOU..."


O melhor lugar da cidade para bater um papo, principalmente sobre música, é a loja de Robério lá no centro, a Música Urbana. E quando o papo é com duas das pessoas queridas que mais gostam e entendem de música é que a gente fica com vontade de não sair de lá nunca mais. Daí o post sobre Beatles e Cirque du Soleil, nossa "pauta" de hoje. Sinceramente não queria ter lembrado da existência desse número no Cirque... Fiquei com mais vontade ainda de ver. Pena que provavelmente isso só vai acontecer quando (e se) lançarem o DVD. :(

ps: prestem atenção a parte da música Octopus' Garden, é belíssima!

O cinema e a moda - perfeita união


Tippi Hedren em Os Pássaros de Alfred Hitchcock


Moda e cinema sempre andaram juntos. Moda também sempre foi o espelho dos grandes movimentos da humanidade, assim como das revoluções científicas, sociais, culturais e tecnológicas, sendo o cinema a grande vitrine dessas transfomações.

A indumentária (roupa) existe quase que desde o surgimento do homem. Surgiu por necessidade de proteção e com o tempo adquiriu o poder de diferenciar os nobres dos plebeus. Mas até o século XV as roupas não mudavam com frequência, eram sempre as mesmas modelagens e cores, diferenciavam apenas um povo do outro. Isso tudo mudou com o Renascimento, foi a partir dele que os trajes começaram a mudar com frequência. Antes do Renascimento além dos plebeus não poderem usar os mesmos tipos de roupas que a corte usava, existiam também leis que regulamentavam até a quantidade de tecido, ouro e pedras que uma roupa poderia ter. A moda propriamente dita surge quando os plebeus começam a querer imitar os nobres, que para fugir das imitações começam a mudar freqüentemente as suas roupas.

Com o avanço da tecnologia, e principalmente da comunicação, o mundo evoluiu e a indumentária também. Mas principalmente houve uma evidente evolução na rapidez com que a moda passou a ser disseminada, e essa rapidez ficou mais evidente com a invenção do cinema. Primeiramente por ser mais um meio de comunicação, e em segundo lugar por transformar a roupa e a vida das estrelas num objeto de desejo.

Foi no século XIX que surgiu o cinema. Uma invenção dos irmãos Lumière que na época buscavam meios de melhorar a fotografia. O cinematógrafo, a invenção que possibilitou a criação do cinema, é o grande responsável pela revolução cultural que o cinema causou e ainda causa atualmente. A primeira exibição cinematográfica foi no subterrâneo de uma café em Paris. A partir daí o cinema foi disseminado por toda a Europa e depois pelo mundo, sendo algum tempo depois considerado como a sétima arte.

O cinema de início tinha como principais funções registrar acontecimentos e narrar histórias. Por ser um registro de imagens valioso, ele também é visto como uma das principais fontes de pesquisa de moda. De início a questão do figurino não era de tamanha relevância, mas a partir do momento em que os filmes passaram a ser produzidos mais cuidadosamente o figurino passou a ter uma grande importância tanto na função de acervo histórico como para dar realismo aos personagens da trama retratada.

Diretores e produtores sempre lançam mão do figurino parar afirmar um personagem, concedendo-lhe certa peculiaridade. Um clássico exemplo é a Grace Kelly que sempre usava trajes mais claros e luzes diretas, uma forma de "mitificar" a atriz e seus personagens.

Segundo Jean Baudrillard, é por meio da personalização que as pessoas definem-se em relação a seus objetos, estes constituem uma gama de critérios distintivos, mais ou menos, arbitrariamente, catalogados em uma gama de personalidades estereotipadas. É esse o artifício que os figurinistas e estilistas utilizam para compor os figurinos de estrelas de cinema, eles são transformados em ícones a serem reproduzidos pela moda. O figurino está acarretado de signos e significantes que determinam seu valor social, é o apelo do sonho de consumo.

A moda e o cinema tem um grande elo em comum, eles são vendedores de sonhos, o que chega a ser uma necessidade no mundo caótico atual. É por isso que o cinema com o tempo deixou de ser apenas uma referência de moda e comportamento para ser também a grande indústria vendedora de moda do mundo. O cinema se transformou numa vitrine almeijada pelas grandes marcas. A roupa da personagem do filme tornou-se um sonho de consumo.Porém sonho de consumo de uma forma de vida, e não apenas da roupa, que é exatamente o conceito que as grandes marcas de roupas tentam nos passar quando trabalham em conjunto com o cinema. Ao usar um vestido Givenchy, você não é apenas uma diva do cinema. Você é a Audrey Hepburn usando um Givenchy e olhando a vitrine da Tiffany's comendo uma rosquinha. As personagens de Hollywood são as principais fontes de pesquisa na hora que os estilistas poem sua criatividade à tona, sendo as mocinhas de Hitchcock as preferidas e mais imortalizadas pela moda.

Curiosidades – O diabo veste Prada
O Diabo veste Prada tem sido o comentário de cinema e moda nesse momento. O filme tem arrecadado grandes bilheterias pelo país, sendo o filme mais visto em muitos Estados. Toda essa movimentação é porque a diabólica jornalista retratada no filme “O diabo veste Prada” na verdade é a toda-poderosa editora chefe da Vogue América, Anna Wintour. Aos 55 anos de idade, essa inglesa revolucionou o jornalismo de moda desde que assumiu o cargo na Vogue. Dizem que quando foi fazer a entrevista de admissão com outra figura lendária do jornalismo de moda, Diana Vreeland, ela se deparou com a pergunta “que cargo você pretende assumir na revista?” e a resposta foi “o seu”. O pai de Anna foi um grande jornalista norte-americano, Charles Wintour, que foi chefe do jornal Evening Standard. Mas Anna sequer chegou a freqüentar uma escola de jornalismo. Aos 16 anos ela abandonou a escola ao ser repreendida pela diretora por estar usando na escola uma mini-saia. Com isso, fez da “swinging london” sua faculdade, freqüentando festas, conhecendo fotógrafos, estilistas e até trabalhando na Biba, uma das lendárias lojas londrinas dos anos 60. Depois acabou se tornando repórter de moda da Harpers&Queen. Anna já serviu de inspiração para persoagens de outros filmes devido à sua personalidade forte e relevância no mundo da moda. Um exemplo é o Willy Wonka, do remake da Fantástica Fábrica de Chocolates. No filme Willy usa óculos e cabelo idênticos aos de Anna, além de alguns gestos.

- Lista de filmes que pode servir de referência da moda do século XX organizada cronologicamente.
1920 – Moderns (Allan Rudolph, 1987)
1926 – The Lodger (Alfred Hitchcock, 1926)
1931 – Henry e June (Kaufman, 1990)
1939 – A era do rádio (Woody Allen, 1987)
1946 – Gilda (George MacReady e Joseph Calleia, 1946)
1946 – E deus Criou a mulher (Roger Vadim, 1956)
1954 – Sabrina (Billy Wilder, 1954)
1955 – Juventude Transviada (Nicholas Ray, 1955)
1956 – Cinderela em Paris (Stanley Donen, 1956)
1960 – Bonequinha de Luxo (Blake Edwards, 1960)
1962 – Hairspray (John Waters, 1988)
1963 – Os Pássaros (Alfred Hitchcock, 1963)
1966 – Blow Up (Michelangelo Antonioni, 1966)
1969 – Hair (Milos Forman, 1979)
1969 – Sem Destino (Dennis Hopper, 1969)
1973 – Casino (Martin Scorcese, 1995)
1975 – Sid & Nancy (Alex Cox, 1986)
1978 – Os embalos de sábado à noite (John Badlan, 1978)
1986 – Conta Comigo (Rob Reiner, 1986)
1987 – Máquina Mortífera (Richard Donner, 1987)
1994 – Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994)
1995 – Kids (Larry Clark 1995)

Thursday, November 23, 2006

Nunca vou esquecer daquela tarde assistindo Popeye...


Uma das coisas que sempre me preocuparam é como dar a alguém uma notícia de morte. Como jornalista espero nunca ter que chegar a trabalhar em obituários. Há aqueles que até gostam disso, alguns tratam o assunto com uma mistura de morbidez e saudosismo, outros são do tipo que se espremermos o jornal depois de impresso não seria surpresa se escorresse sangue... E para falar da morte de um dos grandes diretores de cinema da atualidade, não posso parar de imaginar como alguns outros grandes cineastas dariam essa notícia. É como imaginar um filme de Kubrick feito por Tim Burton.
Veja bem, estilo de escrita não se difere em nada de estilo cinematográfico, é a marca pessoal de um autor ou diretor naquele filme. É como observar uma obra de arte. Algumas pessoas dotadas de maior sensibilidade conseguem ler a tela de forma a conseguir entender toda a situação retratada mesmo sendo uma tela abstrata. É assim que eu costumo categorizar o cinema: como uma forma mais lúdica e completa de expressar aquilo que estava no imaginário do diretor e do autor, uma forma de “comunicação de imaginários”. E por ser uma das formas mais completas de expressão do imaginário ela é tão acessível. Torna-se mais fácil para qualquer pessoa enxergar todo aquele extraordinário que o diretor e o roteirista imaginaram. É como ao invés de apenas ver uma tela de Van Gogh ouvir por duas horas o pintor discorrendo sobre o que ele estava sentindo e tentando mostrar na hora que pintou algum dos seus quadros (tendo ainda uma música como pano de fundo).
É por isso que eu respeito tanto o cinema. Não é qualquer pessoa que consegue fazer um filme, é preciso ser um artista completo de suas percepções e técnica. Talvez fazer cinema seja mais difícil do que pintar e imaginar um universo de Salvador Dalí (o próprio se aventurou no cinema junto com Buñuel). Mas em filmes o fantástico pode estar escondido através de um cotidiano, isso quem me ensinou foi Robert Altman. Ele conseguia em seus vídeos transmitir uma ilusão de realidade.
Sendo assim, eu fico muito triste em saber e ter que dar a notícia de que um dos grandes gênios, e literalmente artista, que apareceu no mundo cinematográfico nos últimos 50 anos veio a falecer nesta segunda feira devido a um câncer.
Desde o início da década de cinquenta Robert Altman vem dirigindo e produzindo filmes, tendo em sua filmografia de diretor cerca de 87 longas metragens. Meu primeiro contato com Altman foi quando assisti a um dos seus fracassos de bilheteria: “Popeye”. Deve ter sido o primeiro filme de época que eu assisti, devia der apenas uns 10 anos de idade, mas achei maravilhoso. Nunca achei que fosse possível recriar todo um universo dos anos 40 em detalhes como ele fez... E o mais fantástico dentro disso foi ele ter conseguido recriar o mundo maravilhoso de um desenho animado que marcou a minha vida. Era o encontro da realidade com a fantasia. Eu conseguia me imaginar naquele cotidiano da década de quarenta usando aquelas roupas, sentir o cheiro da maresia... Foi aí que a minha paixão pelo cinema começou e eu devo isso a Robert Altman. Hoje Altman além de precursor de uma paixão pessoal pelo cinema é o diretor de dois dos meus filmes favoritos: “Gosford Park” e “Vincent & Theo”.
Robert Altman é conhecido por ter sido o diretor de filmes considerados um marco para o cinema, como “Prêt-à-Porter” (1994), “MASH” (1970), vencedor da Palma de Ouro, “Short Cuts” (1993), “Gosford Park” (2001) e “Vincent & Theo” (1990), que narra a história de Van Gogh.

Monday, November 20, 2006

Sean Lennon - Friendly Fire Preview

Sean Lennon - Friendly Fire Preview

direção de Michele Civetta e roteiro dela com o Sean Lennon.

Achei o trailer emocionante, mal posso esperar pra ver o filme... Uma trama feita para a música do Sean que leva o mesmo título do filme. Algo como os filmes que os Beatles costumavam fazer... A idéia me agrada, só não acho que o Sean deveria usar tanto as idéias do pai... Se é que vocês me entendem. Rs.

Wednesday, November 15, 2006

As diferenças entre as semanas de moda de João Pessoa


Anualmente temos três semanas de moda oficiais em João Pessoa: as edições de verão e inverno do Paraíba Fashion Week e a edição anual do Manaira Shopping Collection. Entre os dias 31 de Outubro e 09 de Novembro a cidade presenciou esses eventos que revolucionaram o cenário da moda em João Pessoa.
Antes desses eventos surgirem na Capital os desfiles de moda eram raros, quando aconteciam eram no formato de chás da tarde oferecidos às socialites locais em hotéis e nada era feito por profissionais ou em formato de eventos de moda profissionais.
A partir do momento que a moda começou a se tornar mais profissional e autoral no Brasil algumas empresas começaram a produzir eventos de moda espelhados nos padrões das semanas de moda européias. Tudo ainda muito pequeno, mas que foi preenchendo uma necessidade do mercado nacional, dando inclusive mais visibilidade à moda brasileira. O evento de moda mais importante no país atualmente é o São Paulo Fashion Week, que antes tinha o nome de Morumbi Fashion por ser realizado pelo shopping paulista Morumbi. Outro fator que fez esses eventos começarem a crescer foi a criação de escolas superiores de moda por todo o país. Até alguns anos atrás os únicos lugares do país que possuíam esse tipo de curso eram São Paulo (com as escolas do Senac, Faculdade Santa Marcelina e Faculdade Morumbi), Rio de Janeiro (Senac) , Brasília (UNB) e Fortaleza (UFC). Com a disseminação desses cursos o engrandecimento da moda nacional e da produção de moda acabou sendo uma mera consequência.
Na Paraíba a história da moda começou a mudar quando há oito anos o Manaira Shopping, seguindo o exemplo do Shopping Morumbi, criou o Manaira Shopping Collection. Nos anos 80 a moda paraibana chegou a ser referência, sendo uma das poucas cidades do país a ter feiras de moda nessa época. Mas passados alguns anos esse movimento fico estagnado e os ousados eventos de moda que costumavam acontecer no Espaço Cultural desapareceram, ficando apenas os chás que eram oferecidos às damas da sociedade.
O Manaira Shopping Collection teve sua primeira edição no ano 2000 e até então a cidade nunca havia sediado esse tipo de evento. Portanto foi necessário que quase toda a equipe realizadora do evento fosse trazida de São Paulo ou treinada pelo diretor do evento, Pantera Costa. Tudo era uma novidade para a cidade. Modelos de carreira nacional e internacional, produtores de moda que trabalham para as melhores revistas e marcas do país, estrutura física de grande evento de moda... O próprio shopping teve que fornecer oficinas de camareiras, montadores de passarela, iluminadores de passarela, etc. Contudo o evento tinha como objetivo principal a promoção do nome do shopping e não das marcas. Por ser um evento realizado pelo Manaira Shopping e restrito às marcas que possuiam loja no local, as coleções a desfilarem no Manaira Shopping Collection eram quase as mesmas que apresentavam suas coleções no Fashion Rio e São Paulo Fashion Week. Com isso o evento teve que investir na política de evento-show. Ou seja, o atrativo do evento não eram os estilistas que mostrariam suas coleções, mas as atrações (modelos e atrações musicais). Ainda assim o Manaira Shopping Collection é o evento de moda mais importante do Estado (e um dos maiores e que carregam o maior número de profissionais de nível internacional no Nordeste), sendo também o que envolve mais verba. O evento também é importante por sempre tentar trazer para a sua equipe paraibanos que tem uma carreira consolidada fora do Estado, como o coordenador de maquiagem e o de cabelo dessa edição, que são Danilo Toscano (paraibano radicado em SP que ganhou o prêmio Avon Color de maquiagem) e Junior Mendes (cabelereiro paraibano que está atuando nos melhores salões e eventos de moda do país).
No mesmo ano que o Manaira Shopping Collection foi criado também surgiu o Paraíba Fashion Week, que até hoje é o evento concorrente. O PBFW surgiu como uma alternativa para os estilistas paraibanos e lojistas que não possuiam loja no Manaira Shopping para mostrar suas coleções. A idéia inicial era que fosse voltado apenas para a moda paraibana utilizando o formato da Casa dos Criadores (evento de moda para estilistas alternativos que acontece em São Paulo. Geralmente as marcas que desfilam no São Paulo Fashion Week antes passam pela Casa dos Criadores, que é conhecida pela ousadia nos seus desfiles). Com isso o PBFW se transformou na vitrine da moda paraibana, sendo inclusive palco para grandes estilistas paraibanos como Celene Sitônio (que inclusive tem carreira internacional consolidada e é uma das poucas brasileiras a fazerem “wearable art”), Lúcia Chianca, Raquel Grassi, Rita Braga (Furtacor), Léo Mendonça entre outros. Portanto o Paraiba Fashion Week se diferencia do Manaira Shopping Collection não apenas pela estrutura, mas também pelo conceito.
Ambos os eventos são de grande importância para o Estado por serem vitrines não apenas para os estilistas, mas também para os profissionais da moda paraibanos que estão se capacitando e fazendo desses eventos uma mostra do quão profissional e ativa é a moda no Estado. A criação de escolas de moda por todo o país tem feito não apenas o design das roupas evoluirem, mas também os eventos de moda, já que na faculdade de moda o aluno não se torna necessariamente um estilista. O surgimento do curso técnico de Design de Moda na Funetec-PB é uma esperança a mais para os eventos de moda paraibanos crescerem. Atualmente um evento de moda como esses que acontecem aqui no Estado empregam cerca de 200 a 300 profissionais,. A maioria deles pessoas do sul e sudeste do país por terem um curso técnico ou superior na área da moda. Com a criação do curso técnico em Design de Moda e do superior de Moda e Design no Unipê (que está previsto para o segundo semestre de 2007) a Paraíba também terá mais autonomia de mão de obra para a produção desses eventos.

Tuesday, November 14, 2006

Editorial



Olá vocês leitores do primeiro post do meu blog. "Ginger em tecnicolor" é um espaço que eu decidi criar para a publicação de alguns textos meus e deleite de vocês (rs), meus "fiéis" leitores de uma blogueira de segunda viagem. Nesse espaço eu pretendo abordar alguns temas específicos que eu como projeto de jornalista adoro abordar. Serão temas relacionados à cultura, arte e principalmente moda.
Deixa eu contar um pouco da origem do blog e da mocinha que vos escreve... Eu sou estudante de Jornalismo da UFPB e de Design de Moda da Funetec-PB. Decidi criar esse blog para ter um espaço legal para publicar meus textos das faculdade, textos que escrevo para jornais e outros textos que eu escrevo para ir treinando minha futura e almeijada função de jornalista. Jornalismo de Moda é a área que eu pretendo exercer. A idéia é dar uma de Anna Wintour (rs) e fazer um jornalismo diferente do que vejo pelos jornais e na maioria das revistas. É tratar a moda como um assunto sério, cultural, antropológico e até semiotico também. É mostrar que a moda não é apenas o glamour que muita gente acha que é: mocinhas magrelas desfilando lindas e loiras numa passarela (não que elas não tenham sua importância). Mas sim algo que se trabalha e pesquisa muito para chegar ao trabalho final. Algo que é o espelho de todas as revoluções pelas quais o mundo passa, inclusive do eu interior de quem veste aquilo.
Esse primeiro texto fala da diferença que existe entre as duas semanas de moda daqui de João Pessoa e foi feito depois de muito suor e trabalho, acreditem. Passei um mês e meio estagiando nas acessorias de imprensa dos dois eventos, e não sei se vocês sabem, mas isso significa trabalhar sem parar até de madrugada. Foi uma correria louca, porém feita com um prazer imenso. Além de ter sido um banquete de aprendizado... Vi que essa é a área que quero atuar e dela não vou abrir mão.